Monsenhor Bastos faleceu em Peniche, onde esteve ao serviço mais de 60 anos

© João Polónia Fotografia de Autor
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Foi pelo seu trabalho na acção social e na atenção aos pescadores e emigrantes de Peniche que Monsenhor Manuel Bastos Rodrigues de Sousa mais se destacou. No passado dia 12, aos 88 anos de idade, faleceu menos de dois anos depois do fim das suas funções como responsável pela Paróquia de Peniche.

 

Natural da zona de Aveiro, Monsenhor Bastos veio para Peniche em Setembro de 1947, apenas dois meses depois de ter sido ordenado sacerdote. Em Junho de 1981 foi nomeado monsenhor, um título eclesiástico honorífico conferido aos sacerdotes da Igreja Católica pelo Papa. Durante os longos anos em que ali ficou assumiu funções como capelão da Cadeia do Forte de Peniche e do Porto de Pesca de Peniche, professor de Educação Moral, Religiosa e Católica, impulsionador do Stella Maris (Apostolado do Mar) e membro da Comissão Nacional da Justiça e Paz, entre outras. Foi também o mentor da Sopa dos Pobres, que deu resposta à miséria instalada na comunidade piscatória em períodos de defeso e de crises económicas.


“Ao longo dos 62 anos em que foi Pároco de Peniche marcou profundamente o panorama social da cidade, ultrapassando claramente as responsabilidades meramente religiosas”, afirma a autarquia de Peniche em comunicado. Um documento onde garante que Peniche “não seria o que é hoje se, em 1947, o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira não tivesse enviado o jovem padre Manuel Bastos para Peniche”.


“Sempre na vanguarda”, Monsenhor Bastos esteve activamente envolvido em muitos organismos, serviços e movimentos da paróquia. Esteve ligado a diversos projectos, como um lar, dois jardins-de-infância, duas creches, uma oficina de renda de bilros, um clube recreativo e desportivo e dois pavilhões desportivos. 

 

“Sempre atento à realidade actual e aos sinais dos tempos, falou sempre de forma abrangente na ‘Família Humana’, com todos os seus problemas, e na necessidade de a todos estarmos atentos”, salienta o comunicado. “Um homem que soube educar para uma convivência mais sã e para uma consciência cívica, num profundo respeito pela diferença”, acrescenta ainda.


O corpo de Monsenhor Bastos esteve em câmara ardente na Igreja de S. Pedro, em Peniche. As exéquias foram celebradas no dia 13, no Pavilhão Polivalente de Peniche, e presididas pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. O funeral seguiu depois para o cemitério local.

 

 

Foto: João Polónia

Texto: Joana Fialho

http://www.gazetacaldas.com/?p=2384

 

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