Guias de S. Lourenço de Óbidos celebram dia do seu padroeiro

 

12 de setembro de 2012

Celebração na Igreja de S. Pedro, em Óbidos
Celebração na Igreja de S. Pedro, em Óbidos

A comunidade paroquial de Óbidos reuniu-se para festejar o dia de S. Lourenço, patrono do movimento Guias de São Lourenço, na Igreja de S. Pedro no passado mês de agosto. A celebração presidida pelo prior Paulo Gerardo teve a concelebração do fundador do grupo, padre José Luís Guerreiro e a colaboração do diácono Raúl Penha, que há seis anos dirige a instituição em Óbidos.

 

São Lourenço era um dos sete diáconos da Igreja de Roma. A seu cargo tinha a responsabilidade de administrar os bens da Igreja e a distribuição das esmolas pelos pobres. Após publicação do decreto de perseguição contra os cristãos, o imperador mandou chamar São Lourenço a fim de prestar contas das riquezas que a Igreja possuía. Dedicando a vida ao serviço da Igreja, o santo mereceu a palma do martírio e subiu glorioso à presença de Jesus Cristo.

 

A semente foi lançada, que colheitas queremos fazer na nossa vida? A questão foi apontada pelo diácono Raúl Penha, na sua homilia, desafiando os presentes a refletirem sobre as suas atitudes e prioridades cristãs. Segundo o colaborador das paróquias de Óbidos, estas colheitas “não dependem só das nossas faculdades ou capacidades físicas, mas sobretudo do coração de cada um de nós”, tratando-se de um “tesouro imenso”, porque é fruto “resultante do amor de Deus”.

 

Ser voluntário dos Guias de S. Lourenço, “não é só para aqueles que estão na força da vida, que estão disponíveis, mas é acima de tudo, na fé estar unido a Jesus Cristo”, realçou Raúl Penha salientando o testemunho de Lourenço, lembrado na celebração eucarística. Segundo o diácono de Óbidos, S. Lourenço quis ser imagem de Cristo estando intimamente ligado a Ele, “e por isso rejubilou quando viu o martírio à sua frente, porque se podia configurar com aquele em quem ele acreditava e desejava entregar a vida”.

 

“Nós podemos ser voluntários dos Guias de S. Lourenço, também através da oração, intercedendo ao Senhor, para que os voluntários se entreguem e façam a vontade de Deus, para que os nossos benfeitores sejam recompensados pela sua generosidade, para que as nossas famílias e os nossos utentes reconheçam que não é um grupo da paróquia que, por boa vontade se dispôs a fazer isto, mas é a solicitude de Cristo por cada um deles, no seu amor imenso que Ele tem por cada ser humano”, apelou o diácono Raúl. É com esta dinâmica cristã, e com a certeza que são instrumentos de Cristo, que muitas vezes, “nos leva a estar naquele armazém na Usseira, até por vezes há uma hora da manhã, a separar roupa para que depois os mais carenciados possam ir escolher segundo a sua necessidade e o seu gosto”, concluiu Raúl Penha.

 

 

Casos de pobreza envorgonhada

 

O JORNAL das CALDAS falou com o diácono Raúl Penha, o qual deu a conhecer o movimento, fazendo um balanço enriquecedor dos últimos seis anos, evidenciando uma “vontade forte de agir”.

 

Promover a integração social, colmatar as necessidades básicas de famílias com diferentes carências, e encontrar respostas financeiras para concretizar os diversos tipos de apoio que pretendem por à disposição, são os principais objetivos dos Guias de S. Lourenço.

 

Os Guias de S. Lourenço são um grupo interparoquial de ação sócio caritativa, com suporte jurídico pela Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro de Óbidos. O grupo é constituído por quarenta voluntários de diversas localidades, que tentam pôr em prática a responsabilidade, como cristãos, de agirem perante diversos tipos de carências, “que ainda se fazem sentir no concelho de Óbidos”, revelou Raúl Penha.

 

Em funcionamento desde março de 2006, a instituição sem fins lucrativos tem já uma vasta ação concretizada. O grupo trabalha com o máximo sigilo no que se refere aos indivíduos apoiados, sua localização e tipo de necessidades que, na maioria, são casos de pobreza envergonhada. As necessidades da população apoiada centram-se no isolamento de pessoas idosas, com baixos recursos económicos, nos desempregados de longa duração, doentes crónicos incapacitados para promover uma vida profissional e nas famílias numerosas, com baixos rendimentos.

 

Segundo o responsável, um grupo com características sociais diferentes, composto por pessoas com formação superior e que noutros momentos da vida possuíram bons empregos e estabilidade pessoal e familiar, “vêm-se agora numa necessidade extrema; depois de grande relutância acabam por muito discretamente pedir ajuda ou deixar que outros o façam por si”.

 

Desde do início já solicitaram ajuda aos Guias de S. Lourenço, duas centenas de famílias e “o impacto positivo”, manifestado pelos próprios, “leva-nos a assumir uma responsabilidade cada vez maior nas diversas intervenções, a sentir que muito mais há por fazer e a querer encontrar novas estratégias que respondam cada vez melhor às necessidades reais”, apresentou o diácono Raúl.

 

O grupo desenvolve a sua ação pelas sete paróquias do concelho de Óbidos, apoiando presentemente cerca de cem famílias que revelam diversas necessidades a nível de bens essenciais (alimentação, mobiliário, equipamentos domésticos, vestuário, material escolar e brinquedos); de informação, sensibilização e encaminhamento para serviços e instituições de apoio que possam vir a responder às suas necessidades de emprego, habitação, aconselhamento familiar, saúde, etc.

 

No início da atividade, os Guias de S. Lourenço estabeleceram um protocolo com o Banco Alimentar do Oeste, com entrega mensal de bens alimentares, e com o Banco de Bens Doados, com entrega bimensal de uma box. “Com carater mensal, temos a recolha de bens nas missas paroquiais, ao primeiro domingo de cada mês, na ‘Missa da Partilha’”, referiu o diácono de Óbidos reforçando de forma periódica, as campanhas de recolha em algumas grandes superfícies locais.

 

O grupo integra nas suas atividades, a distribuição de um cabaz alimentar ao domicílio, realizado de três em três semanas, em função das necessidades e do stock existente; o empréstimo de ajudas técnicas e a dispensação de medicamentos a famílias com maiores necessidades, cuja despesa em medicação se revela incomportável. As visitas ao domicílio, o acompanhamento a consultas e exames médicos, e convívios com o objetivo de promover a sua integração social através da interação entre voluntários do grupo, os utentes e a comunidade, são outras prioridades apontadas pelo responsável, que requerem maior atenção.

 

 

Venda de produtos paga despesas

 

A instituição construiu um espaço vocacionado para a aprendizagem de artes decorativas, pintura, restauro e costura a partir de materiais reciclados e recuperados, orientados por uma formadora especializada. Os objetivos deste projeto incidem “em retirar os utentes desempregados do isolamento em que vivem, promovendo um sentimento de valorização e autoestima, por trabalharem para a comunidade”, referiu Raúl Penha. Esta participação ativa pode ser compensada monetariamente, com uma pequena percentagem sobre os produtos vendidos em espaço anexo à Igreja de São Pedro, direcionando para quem visita a Vila de Óbidos. “A venda, neste espaço, constitui um fundo para a sustentação das despesas do Grupo, tais como, a renda, água, luz, formadora e outras despesas subjacentes à atividade”, manifestou o responsável sublinhando o desenvolvimento de um compromisso entre a instituição e os utentes, valorizando as ações conjuntas, “responsabilizando os utentes para o grupo e promovendo o intercambio entre eles e os voluntários”.  

 

A Loja Solidária localizada no Bairro dos Arcos em Óbidos está aberta ao público com produtos doados, vendidos a um custo reduzido e cujos resultados são aplicados inteiramente no programa de ação dos Guias de S. Lourenço.

 

Segundo o diácono Raúl, nos recursos financeiros, todas as despesas inerentes ao desempenho das atividades a que este grupo se tem proposto, têm sido assumidas pelos próprios voluntários, pois ao longo dos 6 anos de existência dos Guias de S. Lourenço, estes não beneficiam de apoio financeiro de qualquer entidade oficial, e a paróquia não possui recursos suficientes para financiar diretamente estas atividades.

 

Os encargos mais preocupantes para o responsável incluem “as deslocações para a recolha e entrega de todos os géneros que distribuímos, numa média de 100 Km por semana, encargos com o espaço da Loja Solidária, Atelier, Armazém de Alimentos e bens de primeira necessidade a famílias em situações de emergência”.

 

Uma das estratégias para melhor concretizar o plano das necessidades da instituição, apontadas pelo dirigente “passará por reunir mais recursos para que a ação seja cada vez mais eficaz”. Assim, o grupo necessita a curto prazo de reforçar “o nosso fundo maneio pois o pagamento de despesas, aos utentes, em situação de emergência que subiu nos últimos meses e estamos a ficar impossibilitados de fazer face a novas situações”, a juntar à contratação de um formador, a tempo inteiro, na dinamização do atelier, e de um funcionário para manter a Loja Solidária aberta ao público em horário laboral, afirmou o diácono Raúl, concluindo que é urgente adquirir uma carrinha de caixa aberta, para que possa fazer a recolha e a redistribuição dos bens, e a garantia de uma verba necessária para fazer face às despesas fixas do grupo. 

 

 

João Polónia/Jornal das Caldas


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