Ordenação de Presbíteros e de Diáconos: A Casa onde é formado o coração de Pastor

4 de Julho de 2010

© João Polónia Fotografia de Autor
© João Polónia

É a casa onde passaram os últimos 4 anos. Lá receberam formação pastoral, humana e acompanhamento espiritual. Dois dos mais recentes padres da diocese, Miguel Pereira e Nuno Rosário Fernandes, abrem as portas do Seminário dos Olivais e mostram os espaços onde aprenderam a ser padres.

 

“Esta é a nossa casa. Ao longo destes últimos 4 anos, esta foi a nossa casa! A casa onde fomos aprendendo a moldar o nosso coração, como coração de pastores, que é o que somos chamados a ser”. O agora padre Nuno Rosário Fernandes fala com entusiasmo do Seminário dos Olivais, a casa que o acolheu em 2006 para dar continuidade à sua formação pastoral. Nuno está acompanhado do também agora padre Miguel Pereira, para quem o Seminário dos Olivais é o seu lar: “Há uma certa apropriação desta casa por nossa parte. Quando nos perguntam: ‘Para onde vão’, respondo sempre: ‘Vou para casa!’ A minha casa é o seminário. Deixou de ser a casa dos pais e passou a ser o seminário. Vivemos aqui diariamente, com esta família que Deus nos dá!”.

 

Nuno Rosário Fernandes e Miguel Pereira foram ordenados presbíteros no passado domingo, dia 27 de Junho, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos. A poucos dias da sua ordenação, receberam a equipa da VOZ DA VERDADE e mostraram alguns dos espaços de eleição do Seminário dos Olivais, o Seminário Maior da Diocese de Lisboa.

 

Formar para a vida pastoral


Criado em 1931 pelo Cardeal Cerejeira, o Seminário de Cristo Rei dos Olivais já formou centenas de padres ao longo dos anos. Miguel chegou aos Seminário dos Olivais vindo do Seminário de Caparide. Antes, tinha também passado pelo Seminário de Penafirme. “Foram oito anos de seminário. Foi um percurso longo, por isso, como realidade de seminário, os Olivais não era muito diferente dos outros por onde passei”, refere o agora padre Miguel. Diferente era apenas a especificidade do seminário, “uma vez que o anterior era um seminário vocacional e este é já pastoral”.

 

Miguel tem uma experiencia de seminário de muitos anos. Nuno é diferente. “Eu venho de uma experiência de vida religiosa, onde estive nove anos. Mais tarde cheguei aqui ao seminário, onde fui muito bem acolhido”.

 

Para Miguel Pereira, este é um seminário “para perceber como é que o pastor está”. As idas às paróquias em trabalho pastoral vão nesse sentido, uma vez que neste último ano de seminário os fins-de-semana foram passados nas paróquias, junto das comunidades cristãs, a fazer pastoral. “São dias para viver com o pastor aquilo que ele vive”, ressalva. Para Nuno Rosário Fernandes, o contacto com as pessoas “vai moldando os futuros padres”, fazendo-os “perceber e conhecer as dificuldades do povo de Deus que lhes será confiado”.

 

Nuno e Miguel estão no chamado 6º ano de seminário. Para trás ficaram cinco anos a estudar Teologia na Universidade Católica. “Neste último ano, fazemos uma pós-graduação em pastoral. É uma formação que faz a ponte entre a parte teológica e a sua aplicação”, conta o agora padre Miguel. As aulas vivem muito do testemunho de cada formador. Administração paroquial, homilética, os sacramentos, direcção espiritual, acompanhamento de pessoas e grupos são algumas das disciplinas deste ano pastoral. “No fundo, são conteúdos muito importantes para o começo da actividade pastoral”, acrescenta Miguel. Esta é uma formação interna, dada por padres e leigos, nos espaços do seminário. “É uma pastoral que está aberta também a qualquer padre que deseje fazer uma actualização”, destaca, por sua vez, Nuno.

 

Sala, o espaço de convívio


Subindo um andar, encontra-se um dos locais de lazer e encontro do Seminário dos Olivais: a sala de convívio. É um grande espaço, de convivência, às vezes de estudo, mas também de encontros, onde os seminaristas partilham o dia-a-dia, lêem jornais e revistas, tomam um café. É a sala onde Nuno e Miguel passaram muito do tempo destes últimos quatro anos. “Normalmente estamos por aqui a seguir ao almoço e também depois do jantar”, refere Miguel Pereira. Toda a gente da casa se cruza neste espaço. Não só seminaristas como também a equipa formadora. “Nesta casa não há uma ‘divisão’ entre formandos e formadores”, salienta Nuno Rosário Fernandes.

 

É nesta sala que às quartas-feiras, após o jantar, decorre a chamada ‘Quarta-feira Comunitária’, em que um convidado fala sobre um assunto da actualidade. Desde a situação económica do país, à política nacional e internacional, sem esquecer a realidade eclesial. “Por vezes, vêm também representantes de vários movimentos da Igreja, que vêm apresentar os movimentos de modo a que os futuros padres fiquem a conhecer a realidade eclesial da diocese”, referem os dois mais recentes padres de Lisboa. “A ideia é que haja não só um contacto com o mundo como também com a realidade humana actual”.

 

A sala leva-nos a uma grande varanda que tem vista para o jardim. Esta varanda, segundo contam, é o complemento deste espaço de lazer. “Tem uma paisagem muito bonita. É um espaço privilegiado que temos aqui no seminário”.

 

Quarto, o espaço de cada um


No Seminário dos Olivais os quartos são individuais. Não são muito grandes, mas têm o espaço suficiente para o descanso, a leitura, o estudo, a oração. Situados no 2º piso, cada quarto tem o conforto de ter uma casa de banho privativa. “Este é o meu espaço”, refere Nuno Rosário Fernandes, abrindo as portas do seu quarto. “É o local onde eu passo a maior parte do meu tempo. Aqui rezo, aqui estudo, aqui leio, aqui recebo os colegas para conversar”. As limpezas domésticas são cumpridas diariamente pelos seminaristas. “Nós é que temos de fazer a cama, limpar… no fundo, aprender a cuidar do nosso espaço também faz parte da nossa formação humana”.

 

No quarto, Nuno tem uma imagem do padroeiro do curso, São Padre Pio: “Todos os cursos no seminário escolhem um padroeiro. E o padre Pio foi uma figura que fui descobrindo quando cá cheguei”.

 

Capela, o espaço de oração


A oração é um dos pontos centrais de toda a formação de um jovem seminarista, futuro padre. O Seminário dos Olivais tem uma capela, cujo presbitério foi restaurado em 2006, aquando dos 75 anos da instituição. “É um local onde vimos várias vezes ao dia. Temos celebração de Laudes às 7h10 da manhã e Missa com Vésperas às 19h”.

 

As celebrações são presididas pelos padres formadores e na capela estão os seminaristas de todos os anos. “A oração é fundamental para a nossa formação”, garantem.

 

Jardins, o espaço de passeios


São porventura um dos espaços mais famosos do Seminário dos Olivais. Falamos dos jardins, onde muitos passeios são dados pelos jovens seminaristas. Em grupo.

 

Individualmente. E também com o director espiritual. O único som que se escuta é o dos passarinhos. “Ao longo destes anos, foram muitos os passeios dados aqui pelos jardins do seminário. A rezar o terço, a meditar… É um espaço muito bonito, muito tranquilo”, conta Nuno.

 

A direcção espiritual destes dois jovens é assegurada por um dos padres formadores. “Há uma relação muito boa, de amizade entre nós e o director espiritual, que é um futuro irmão no sacerdócio, que nos conhece muito bem”, destaca Miguel Pereira, sublinhando que além de ser o confessor, o director espiritual é também alguém que os ajuda “a caminhar”. Para Nuno, o importante é a confiança. “A relação com o director espiritual vive da confiança. Porque o director espiritual é alguém a quem nós nos abrimos totalmente. É a pessoa que melhor nos conhece e, conhecendo-nos, é a pessoa que melhor nos pode ajudar”.

 

Padre: uma vida nova, na continuidade


A visita guiada ao Seminário dos Olivais decorreu a poucos dias da ordenação presbiteral. No final, quando questionados como seriam as suas vidas após a ordenação, garantem que será uma vida nova, mas na continuidade da missão da Igreja. “É uma vida nova. De uma entrega total e de uma total disponibilidade para acolher aquela que for a vontade do Senhor. Tenho rezado muito isso. Perguntam-me muito: ‘Para que paróquia vais? Para onde é que queres ir? O que gostavas de fazer?’. E eu respondo sempre: ‘Farei aquilo que o Senhor quiser. Aquilo que o Senhor Patriarca me chamar a fazer, será a vontade de Deus e a vontade da Igreja’. Portanto, sinto-me completamente livre e disponível para acolher aquela que for a sua vontade”, assegura o agora padre Nuno Rosário Fernandes.

 

O também agora padre Miguel Pereira reforça a ideia de Nuno. “Também me perguntam qual vai ser a minha nomeação e eu digo que já está decidida: ‘É para onde o Senhor Patriarca me enviar’. Essa parte não é problema…”. Para Miguel, o importante é a Igreja continuar a sua missão. “Se é verdade que há uma vida nova, por outro lado há uma continuidade em fazer aquilo que a Igreja faz: procurar salvar os irmãos, procurar que Deus os salve! Nós somos ordenados padres não para nós mesmos, mas para a Igreja”.

 

 

fotos das Ordenações por João Polónia

 

Diogo Paiva Brandão

 

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