Manifestação pela Família e pelo Casamento: “A forma mais bela de amar é entre um homem e uma mulher”

28 de Fevereiro de 2010

© João Polónia
© João Polónia

Testemunhar que “a forma mais bela de amar é entre um homem e uma mulher”. Foi com este objectivo que a família Ferreira, da paróquia da Amadora, participou na manifestação em favor da família que reuniu mais de cinco mil pessoas nas ruas de Lisboa.

 

“A minha mulher e eu entendemos que era uma altura muito conveniente de nos mostrarmos como família, junto de muitas outras famílias! Precisamente porque o nosso entendimento de família está a ser posto em causa”. José Maria Ferreira percorreu com a mulher, Inês, e os dois filhos, o José Maria, de 2 anos, e o Miguel, de 6 meses, as ruas da cidade de Lisboa numa manifestação em favor da família. São uma família formada recentemente – José Maria e Inês casaram em 2006 – mas que não quis deixar de estar presente nesta manifestação promovida pela Plataforma Cidadania e Casamento, que decorreu no passado dia 20 de Fevereiro.

 

José Maria confessa que não é muito dado a manifestações. Mas, desta vez, abriu uma excepção. “Esta manifestação foi uma oportunidade muito bonita de poder ir para a rua dizer que somos felizes. Que somos uma família com um pai e uma mãe!”. Para este jovem de 29 anos, só no amor entre um homem e uma mulher está o conceito de família. “Só desta forma o ser humano consegue atingir a sua completude como família: um pai, uma mãe e os filhos”, garante.

© João Polónia
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Abraçar uma ‘cultura de vida’


«Casamento é entre homem e mulher» ou «A família unida jamais será vencida» foram algumas das palavras entoadas pelos manifestantes, que partiram da praça do Marquês de Pombal rumo aos Restauradores. Para a família Ferreira, esta manifestação pela família foi um dia especial. “Participámos na manifestação com muito gosto. Foi um dia óptimo. Além de ser uma tarde sempre bem passada, com outras famílias, convivemos muito com pessoas que também entendem a família da mesma forma que nós”.

 

Salientando que o surpreendeu o facto de muitas famílias terem levado os filhos – “podia-se ter dado o caso de irem só os pais” – José Maria considera que esta manifestação foi uma vitória de quem defende a vida. “Foi muito bom estar junto a outras famílias e sentir que as pessoas querem abraçar uma ‘cultura da vida’ ao contrário daquilo que se quer impor, que é uma ‘cultura da morte’, que começou com o aborto e que continua com esta lei dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo”.

© João Polónia
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“Um pai e uma mãe, como fonte de abertura à vida”


Rejeitando a ideia de que quem participou na manifestação é intolerante, José Maria sublinha que “esta tentativa de impor os casamentos entre pessoas do mesmo sexo é algo contranatura”. Por isso, defende: “Temos de tratar de forma diferente aquilo que são coisas diferentes. Por muito que respeitemos o intento das pessoas do mesmo sexo em unirem-se civilmente e terem uma forma de organização que o Estado reconheça, isso não tem nada a ver com a realidade que é a família como ela é concebida há séculos: um pai e uma mãe, como fonte de abertura à vida”.

 

Na educação dos filhos, José Maria e Inês Ferreira dizem-se preocupados “com o rumo que a sociedade está a levar com a criação deste tipo de leis”. A apreensão, segundo dizem, deve-se à confusão e ao relativismo. “Preocupa-me o ambiente de confusão sobre problemáticas tão importantes na vida de uma pessoa. A sociedade deveria caminhar no sentido contrário, criando significados muitos vincados que foram marcados pela própria história. Custa-me sentir que os meus filhos vão entrar numa sociedade de algum relativismo conceptual, que advém de uma falta de concretização dos valores. Sejam eles valores humanísticos ou de carácter mais religioso”.

 

O filho mais velho da família Ferreira, o José Maria, de 2 anos, vai agora entrar na idade dos ‘porquês’. Sobre a forma de contrariar esta nova orientação da sociedade, este casal acredita que tudo terá de passar pelo testemunho e pelo exemplo em casa. “O que vamos dizer não só ao José Maria como ao Miguel é que eles nasceram fruto do amor entre uma pessoa de um sexo e uma outra pessoa de outro sexo. A forma mais bela de amar é entre um homem e uma mulher. É aí que eles se encontram na sua totalidade como seres humanos”.

© João Polónia
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Ecos de uma Manifestação

por Ana Barquinha, jurista

 

A Manifestação pela Família e pelo Casamento, que percorreu a Av. da Liberdade no dia 20 de Fevereiro, foi muito mais que uma manifestação. Foi um encontro.

 

Um encontro de famílias, uma festa de flores. Sendo que as flores foram as crianças, os adolescentes e jovens que desceram a avenida, integrados nas suas famílias - os mais pequenos aconchegados nos carrinhos de bebé, os mais crescidotes a pé, com balões ou empunhando pequenos cartazes – ou separados delas: os jovens transportando bandeiras coloridas ou fazendo parte do cordão de segurança. Mas também havia idosos. Alguns dos quais avós.

 

A contrastar: os polícias do Corpo de Intervenção. Até um blindado andava por ali! Sim, porque havia um pequeno grupo barulhento que discordava da manifestação e que se rodeara de todas as medidas de segurança. Dá vontade de rir imaginar as pessoas da manifestação a utilizarem a violência: os pais a arremessarem os carrinhos de bebé e os sacos de fraldas, os bebés as suas xupetas, as crianças a largarem os balões, os jovens a projectarem as bandeiras e os cartazes, os idosos a fazerem lançamentos letais com as suas bengalas... contra o pequeno grupo barulhento. É claro que não deixou de ser reconfortante ter a polícia por perto, tanto mais que nunca se sabe se alguém poderia aproveitar a ocasião para cometer uma violência e estragar o sentido daquela marcha afirmativa mas pacífica.

 

Afirmativa, sim. Neste mundo que está a perder a noção do Bem e do Mal, que enterrou Deus e pretende escrever a História de costas voltadas para o que é natural ao Homem e verdadeiramente o dignifica, é forte testemunho haver famílias inteiras com bebés e avós à mistura (estão a imaginar o que é preparar uma família com várias crianças dependentes de mamadas, biberões e fraldas limpas para descer a Av. da Liberdade e aguentar horas, com um frio de rachar?) a afirmar as suas convicções sobre casamento entre homem e mulher como base da família, a comunidade de amor onde as crianças devem crescer naturalmente e tornar-se adultos e cidadãos responsáveis.  

 

A SIC e a RTP não deram o ar da sua graça. Só a TVI apareceu. Para aqueles órgãos de comunicação social a manifestação foi um não-acontecimento. Não houve uma multidão de mais de cinco mil pessoas a manifestarem-se na Av. da Liberdade a favor do casamento. Não foram proferidas palavras que reclamaram um referendo à definição de casamento que o Partido Socialista pretende obrigar a sociedade a aceitar. Os Prof.s Doutores Marcelo Rebelo de Sousa e João César das Neves, o Dr. José Ribeiro e Castro, a Dr? Maria José Nogueira Pinto, D. Duarte de Bragança e D. Isabel de Herédia e muitos mais, apenas realizavam com mais uns míseros milhares de pessoas um passeio de sábado à tarde que por acaso aconteceu pelo meio da rua, com o trânsito parado, sabe se lá por que sortes!

 

A manifestação pela família deveria ser uma tradição. A começar este ano de 2010 e a perpetuar-se ano após ano. Ao jeito do 1º de Maio, ou do 25 de Abril. Com efeito, com os ataques que o legislador faz à família, desde o divórcio ao aborto, agora o “casamento” de pares de pessoas do mesmo sexo, a educação sexual nas escolas com distribuição de preservativos e pílulas do dia seguinte em gabinetes onde “pai e mãe não entram”, etc, etc, a família natural tende a tornar-se heróica. Entenda-se: uma família onde há um pai e uma mãe ligados pelo casamento, nenhum deles divorciado, com filhos, onde ninguém praticou um aborto nem tem uma vida sexual desregrada...

 

Se assim continuarmos a manifestarmo-nos; quem sabe, a reivindicar o nosso estatuto de minoria sobrevivente, talvez a Comunicação Social estatizada e/ou amoral se digne dar-nos alguma atenção. Isto se os poderes instituídos não se sentirem incomodados a ponto de se lembrarem de retornar às práticas sanguinárias do circo romano e exterminarem-nos de vez!

 

 

fotos por João Polónia

 

 

Diogo Paiva Brandão

 

http://www.jornalw.org/?cont_=ver2&id=943&lang=pt

 

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