JOTA JOTI no Centro Escutista do Oeste apela escuteiros a difundir o seu ideal na vida quotidiana

29 de outubro de 2014

(Celebração presidida pelo novo bispo responsável pela Zona Pastoral Oeste | João Polónia info@joaopolonia.com)
(Celebração presidida pelo novo bispo responsável pela Zona Pastoral Oeste | João Polónia info@joaopolonia.com)

Lançam-se as coordenadas para estabelecer contacto com outros grupos de escuteiros por todo o mundo. Através da rádio ou da internet, centenas de escuteiros, de norte a sul do país, rumaram ao Centro Escutista do Oeste (CEO), em Salir do Porto, Caldas da Rainha, de 17 a 19 de outubro, para participar na atividade internacional JOTA JOTI (Jamboree On The Air - Jamboree On The Internet).

 

Além de várias atividades para os escuteiros das quatro seções do Corpo Nacional de Escutas (CNE), este ano a estação nacional do 57º JOTA e 18º JOTI, realizou pela primeira vez a iniciativa mundial no CEO, marcada por uma Eucaristia presidida pelo novo Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, e pela tomada de posse da junta de núcleo do Oeste.

 

Durante a celebração eucarística, D. José Traquina foi lembrado como um escuteiro e dirigente “dedicado” na edificação do Núcleo do Oeste, de onde é natural (Évora de Alcobaça), e homenageado pelo chefe nacional por aquilo que representa hoje para cada um dos escuteiros na “doação total ao serviço dos outros”. “O CNE pode e deve ser também um viveiro de vocações para o serviço da comunidade”, alertou aos jovens o responsável da junta central fomentando o valor e o exemplo do escuteiro José Augusto Traquina. Inserido nas comemorações dos 90 anos do CNE e na primeira atividade nacional escutista, que participou, o Bispo Auxiliar recebeu do chefe Norberto Correia uma lembrança, símbolo do episcopado e também do escutismo, com o repto de “compartilhar connosco, a alegria de sermos Igreja todos em conjunto”. D. José Traquina dirigiu-se em primeiro lugar à Junta de Núcleo do Oeste, que renovou o mandato em tomada de posse, para qualificar a “responsabilidade acrescida” por ser o núcleo mais antigo da Região de Lisboa, e pela “belíssima tradição na formação da juventude, que continua a dar bons frutos ao longo dos anos, nesta Zona Pastoral do Oeste, onde fiz e agora faço parte como bispo responsável”.

 

“É com muito amor às crianças, aos adolescentes e aos jovens, que um dirigente se entrega, não apenas pelo prazer pessoal, isso nós aprendemos do Baden-Powell, e depois de facto verificamos numa caminhada de seminário como isso é importante, o que é determinante para ser Bom Pastor”, certificou D. José Traquina lembrando que aprendeu “a amar a juventude” junto dos colegas e chefes, Manuel Clemente, Mário Rui, José Machado, Alfredo Cerca, entre outros. O Bispo Auxiliar de Lisboa agradeceu ao chefe nacional a “referência” e a recordação do báculo pastoral, e reforçou que para ser “bom pastor e bom dirigente” é necessário alargar o coração à família e “concretizar o ideal escutista no quotidiano, através da santificação em todos os ambientes".

 

O JORNAL DAS CALDAS (JC) acompanhou a atividade nacional no Centro Escutista do Oeste e recolheu alguns testemunhos dos responsáveis e dos escuteiros.

 

Segundo o chefe nacional Norberto Correia “não importa organizar grandes atividades que tenham um impacto social muito grande ou na comunicação, importa sim, que cumpram a sua missão e que façam com que o escutismo, que se desenvolve nas bases, seja cada vez de melhor qualidade”. Ao JC, o responsável fez uma avaliação enriquecedora do evento no CEO, salientando a participação de mais de uma centena de agrupamentos, e “o interesse acrescido em atividades paralelas”, como o acampamento e jogos relacionados com a temática das comunicações. As oportunidades de atividades inseridas no JOTA JOTI aconteceram também pelo país fora e movimentaram muitos milhares de escuteiros. Para o chefe nacional o grande desafio lançado aos escuteiros para o novo ano escutista passa pela aprendizagem em comunicar uns com os outros, capacitando-os no envio e no retorno das mensagens, “de forma a evitar mal entendidos, que são tantas vezes causa de desavenças e de guerras na sociedade de hoje”.

 

Empenhados na atividade, os escuteiros dividem-se entre o radioamadorismo, a internet e outras oficinas paralelas. Beatriz Vivar do Agrupamento 522 de Cós, Alcobaça, disse ao JC que a sua experiência do JOTA JOTI no Centro Escutista do Oeste foi gratificante e diferente do que em outros anos, realizados apenas dentro do seu grupo. Para a pioneira de Cós, o encontro proporcionou o contacto com outros agrupamentos, o conhecimento de outros escuteiros, com a possibilidade de fazer novas amizades. “Gostei muito de falar pela internet com outros escuteiros de todo o mundo, embora por pouco tempo, mas reconheço que este atelier sobre a prevenção dos incêndios tem muito mais utilidade prática e é capaz e ser bem mais importante para nós enquanto escuteiros”, referiu. A escuteira sublinhou a agradável vivência no CEO com o núcleo do Oeste reunido e a participação pela primeira vez na atividade de Geocaching em Salir e São Martinho do Porto, que atraiu a curiosidade e o entusiasmo de centenas de escuteiros ali presentes. “É importante termos a noção da dimensão que o nosso movimento representa pelo mundo fora”, realçou Beatriz Vivar, destacando ainda que gostaria de ver desenvolvidas mais oficinas paralelas em atividades escutistas de maior dimensão, relacionadas com primeiros socorros.

 

O Núcleo do Oeste tem apostado nos últimos anos na formação e educação para a segurança das crianças e jovens, que nele estão inseridos. Quando existem atividades de maior dimensão no CEO, a sua equipa de gestão aproveita para sensibilizar os escuteiros das várias faixas etárias criando várias oficinas de interesse e utilidade, como a prevenção de incêndios e utilização dos extintores. “A participação dos escuteiros nestas ações é importantíssima, porque 90% da população portuguesa não sabe utilizar um extintor”, frisou o chefe Jorge Ribeiro ao JORNAL DAS CALDAS. Segundo o dirigente os equipamentos são obrigatórios, estão em todo o lado, mas grande maioria das pessoas não sabe usar um extintor. Preocupado com que os escuteiros possam fazer parte dessa realidade, o responsável disse que o atelier é uma forma de os escuteiros tomarem contacto com um extintor, saberem quais os processos e indicações para o seu funcionamento e de “sentirem o calor das chamas para dar valor ao trabalho dos Bombeiros e dos agentes da Proteção Civil, e para eles próprios poderem ter uma cidadania ativa e participativa”. “O ‘sempre alerta para servir’ é para concretizar nos momentos em que o próximo mais precisa”, afirmou, explicando que nos pequenos focos de incêndio utilizam-se os extintores, mas o primeiro passo a dar, “que quase ninguém se lembra é dar o alerta”. “Se gritarmos fogo toda a gente vai entrar em pânico, se nós mantivermos a calma toda a gente se salva. É este tipo de comportamento e esta cultura de segurança, que é exigido ao escuteiro”, realçou o chefe. Para Jorge Ribeiro a grande mensagem a transmitir, especialmente aos pioneiros e caminheiros, é que o papel do escuteiro “não é ser vítima, é ser salvador, para servir os nossos concidadãos”.

 

Finalmente o chefe do Núcleo do Oeste ao JC qualificou o JOTA JOTI como um projeto alcançado, que o Centro Escutista do Oeste e a junta de núcleo se empenhou e abraçou. “É extremamente importante na divulgação do CEO em termos nacionais e mesmo internacionais, dá-lhe uma visibilidade muito maior daquela que já tem até agora, e o facto da junta central ter acolhido esta nossa proposta de receber a estação nacional, é também um voto de confiança do trabalho desenvolvido”, revelou Rui Pedro. Como grande desafio para o novo mandato, o Núcleo do Oeste tem uma caminhada importante, que passa por manter a unidade da família escutista, marca essa que se tem construído durante várias décadas. “É uma grande responsabilidade nossa manter unido e fiel este espírito e esta identidade”, manifestou o responsável, revelando que em termos práticos e operacionais a junta de núcleo do Oeste aponta como prioridade o próximo ACANUC, acampamento de núcleo do Oeste deste ano escutista 2014/2015, a realizar no próximo verão, ainda sem local definido. “Será a grande festa do núcleo do Oeste, que esperamos juntar parte significativa dos escuteiros na mesma atividade, e fazer caminho com os agrupamentos, acompanhando-os na vertente pedagógica e na formação de recursos de adultos”, concluiu.


 

João Polónia/Jornal das Caldas

 

(Jornal das Caldas nº 1174 de 29 de outubro de 2014)

D. José Traquina disse ao JORNAL DAS CALDAS que o ideal de vida em grupo não pode ficar numa realidade apenas associada ao escutismo, "tem de ser levado para a vida de adulto no quotidiano". "Ninguém pode ser feliz sozinho, colaborar para deixar o mundo melhor, não é só deixar o campo bem arrumado, é depois no próprio mundo transformar como ideal de vida", reforçou o novo Bispo Auxiliar, que assume também a responsabilidade pela Zona Pastoral Oeste do Patriarcado de Lisboa. 

 

João Polónia info@joaopolonia.com

(Mensagem de Abertura do JOTA JOTI pelo chefe nacional Norberto Correia)
(Mensagem de Abertura do JOTA JOTI pelo chefe nacional Norberto Correia)
Tomada de posse da junta de núcleo do Oeste
Tomada de posse da junta de núcleo do Oeste
D. José Traquina visitou as instalações do Centro Escutista do Oeste revivendo os velhos tempos de dirigente
D. José Traquina visitou as instalações do Centro Escutista do Oeste revivendo os velhos tempos de dirigente

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