Eucaristia marca comemorações dos 500 anos do Livro do Compromisso das Caldas

22 de agosto de 2012

Celebração pelo Bispo Auxiliar de Lisboa, na Igreja Nossa Senhora do Pópulo
Celebração pelo Bispo Auxiliar de Lisboa, na Igreja Nossa Senhora do Pópulo

No dia em que a Igreja Católica celebra a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu, cuja memória litúrgica foi recordada no passado 15 de agosto, o Centro Hospitalar Oeste Norte em conjunto com o Museu do Hospital e das Caldas associou-se à celebração eucarística solene presidida por D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, que pela primeira vez visitou a cidade de Caldas da Rainha.

 

A Eucaristia inserida nas comemorações dos 500 anos da assinatura do Livro do Compromisso contou com a concelebração do capelão padre Filipe Sousa e do pároco cónego Joaquim Duarte, participada por centenas de cristãos visivelmente agradecidos pela reposição no altar-mor, do trono oferecido pelo rei D. João V à Igreja Nossa Senhora do Pópulo, composto pelo sacrário e pela pianha onde foi colocada a imagem da santa protetora.

 

Ao terminar a Sua missão na terra, Maria, a Imaculada Mãe de Deus, foi elevada em corpo e alma à glória do céu, sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude da salvação. D. Nuno Brás, na sua homilia manifestou o exemplo da Virgem Maria ao reconhecer as maravilhas que Deus realizara nela, em favor de todo o seu povo e de toda a humanidade.

 

“Ao fazê-lo, a Virgem Maria reconhece o objetivo último da criação, o louvor pleno e perfeito de Deus. Deus criou-nos para que o pudéssemos louvar plena e perfeitamente. Se nos chama a transformar a terra, que entregou nas nossas mãos, se nos deu o engenho para em seu nome darmos realidade a todas as maravilhas da técnica e da comunicação, hoje como outrora Deus realiza diante de nós maravilhas, é tão simplesmente para que todos o possam louvar e reconhecer como o Senhor criador, que pensou em nós e nos sustenta em cada momento com todo o amor”, explicou o Bispo Auxiliar de Lisboa.

 

O grande objetivo da “nossa existência” segundo D. Nuno Brás passa pela vivência da nossa identidade em “louvor divino, desde do instante do nosso nascimento, passando pelo momento da nossa morte física até há contemplação de Deus face a face”.

 

“Nossa Senhora do Pópulo, assim, a evocamos aqui neste templo que os nossos antepassados construíram. Fizeram-no para aqui se poderem reunir no louvor e ação de graças de Deus. Fizeram-no para que na cidade se encontra-se um sinal visível da Igreja, povo do Senhor, e deste modo anunciar que Ele não abandona aqueles que por quem entregou o seu corpo e o seu sangue. Nossa Senhora do Pópulo, Nossa Senhora do povo, que intercede constantemente por nós, junto do seu Filho, recordando-lhe a fragilidade humana, sempre inclinada ao pecado e que Ele assumiu na sua encarnação e para com a qual usa de misericórdia. Nossa Senhora do Pópulo, Nossa Senhora do povo porque o povo da cidade recorre na sua oração à intercessão da Virgem Maria e nela reconhece apesar de ser membro da raça humana como nós, todas as virtudes, toda a ousadia, toda a entrega, toda a santidade, todos e cada um somos convidados a viver. Nossa Senhora do Pópulo, Nossa Senhora do povo, porque a todos Nossa Senhora protege envolvendo-nos sobe o seu manto, como mãe carinhosa, a nós, ricos ou pobres, sempre necessitamos do seu auxílio”, concluiu D. Nuno Brás.

 

Para o capelão do Centro Hospitalar, padre Filipe Sousa a celebração “foi muito importante para que estas comemorações tivessem força e êxito, com a participação do Museu do Hospital e das Caldas” cooperando junto da responsável e restante equipa. “Nós quisemos dar uma renovação com alguns elementos que tinham estado aqui na Igreja oferecidos por D. João V, recuperando o trono e a pianha onde está agora a imagem de Nossa Senhora do Pópulo”, manifestou o assistente espiritual, referindo que o regresso do património ao seu lugar de origem, “dá uma maior dignidade ao altar-mor e à própria padroeira da cidade”.

 

O JORNAL das CALDAS falou com Dora Mendes, responsável pelo Museu do Hospital e das Caldas, a qual sublinhou a importância para a cidade assinalar o 15 de agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, na data pela qual o hospital tem como padroeira Nossa Senhora do Pópulo e a sua construção deu origem à vila.

 

Segundo a diretora do Museu, a ausência dos dirigentes municipais nesta celebração deve-se ao facto do 15 de agosto “passar um pouco mais despercebido”, pois “o dia mais significativo para a cidade será o feriado municipal e nessa data temos sempre a representação das entidades oficiais”.

“Quisemos assinalar o momento este ano, não só com a missa solene, como também a devolução temporária à Igreja do trono oferecido por D. João V”, e juntamente com o capelão, solenizar o acontecimento com a presença do Bispo Auxiliar de Lisboa, explicou Dora Mendes. 

 

Ao longo das comemorações dos 500 anos do Compromisso em 2012, que não se aplica somente ao 15 de agosto, “conseguimos perceber através da leitura do arquivo histórico, que neste dia eram entregues a todos os funcionários do hospital, alimentos nomeadamente pão entre outros bens mais simples, como a título de celebração”, revelou Dora Mendes, salientando que através do documento “podemos encontrar uma série de pequenos rituais diários que vão marcando o funcionamento quotidiano do próprio hospital, para além do mais conhecido como a abertura dos banhos”.

 

“Tal como o Compromisso da Rainha, impõe-se hoje a criação de uma agenda que recoloque o Hospital Termal e restante património no panorama atual. Tarefa difícil, mas cremos que atingível, já que o património histórico e o legado de 500 anos de funcionamento desta instituição parecem ser aspetos fundamentais e justificáveis para a sua continuidade futura. É urgente dar continuidade a um projeto único e para isso é necessário reunir esforços e condições para que tal seja possível. A história mostra-nos que outrora o foi; hoje acreditamos que ainda o é”, manifestou a diretora Dora Mendes.

 

No final da celebração, o Bispo Auxiliar de Lisboa visitou as instalações do Hospital Termal e o Museu do Hospital e das Caldas.

 

 

João Polónia/Jornal das Caldas

 

(Jornal das Caldas nº 1060 de 22 de agosto de 2012)

 

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