Dois mil fiéis intercedem a Nossa Senhora em procissão de velas pela cidade

17 de outubro de 2012

No dia em que o Cardeal-Patriarca de Lisboa D. José Policarpo abriu o Ano da Fé em Portugal, cerca de duas mil pessoas participaram à noite numa manifestação marcada pela fé e devoção a Nossa Senhora de Fátima, com Eucaristia e procissão de velas pelas ruas de Caldas da Rainha.

 

Muitos cristãos iniciaram a peregrinação do 13 de outubro com a celebração eucarística na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, presidida pelo pároco cónego Joaquim Duarte, frisando que a presença de Maria “enriquece a realidade da Igreja viva, que somos todos nós batizados”.

 

Na homilia, o sacerdote transmitiu a mensagem de exigência e garantia da promessa de Deus, “que é recebermos na nossa vida de pessoas livres e crentes a sabedoria, não numa perspetiva intelectual, mas sim, acreditar profundamente n’Ele, que nos faz verdadeiramente felizes, diante dos sinais fortes e vivos da sua presença”. O responsável da paróquia de Nossa Senhora do Pópulo alertou os cristãos para a importância do Ano da Fé, e diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima afirmou que Maria “acreditou profundamente no poder e na bondade de Deus”, transformando “no maior acontecimento possível”, em que Deus faz-se homem no seu ventre”. Através da Palavra de Deus “Jesus dá-nos a oportunidade de comtemplar Maria, como mulher de fé, a criatura humana que não teve outro argumento, senão confiar totalmente em Deus, que a desafiava ao mistério da Encarnação”, concluiu o presbítero.   

 

No final da celebração, os cristãos juntaram-se a outros fiéis no adro da Igreja dando início a uma caminhada de luz e oração, ladeando o andor de Nossa Senhora de Fátima, enfeitado com flores adquiridas pela comunidade paroquial, e transportada por alguns elementos dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha. Uns percorreram o trajeto pelas ruas da cidade, outros permaneceram à janela e nas varandas das suas casas engalanadas para acolher a passagem da Virgem Maria, dos quais muitos deles com os problemas da vida em mente. Ao longo da procissão de velas, os fiéis, entre eles, crianças e jovens meditaram alguns passos da vida de Jesus Cristo, rezando o Terço e entoando cânticos de louvor a Nossa Senhora, culminando a peregrinação na Expoeste. 

 

O coadjutor Miguel Pereira, que presidiu à procissão das velas, fez o balanço do acontecimento religioso ao JORNAL DAS CALDAS, destacando o elevado número de fiéis presentes na celebração e o seu impacto na cidade, especialmente com algumas pessoas que nas varandas acompanhavam com “imenso interesse e devoção sincera por Nossa Senhora”.

 

“É interessante que esta procissão acontece no início do ano da fé, foi a temática que o prior lhe quis dar, rezar pelo ano da fé, para que a formação cristã seja efetiva, para que as pessoas possam aprofundar a sua relação com Jesus e com Nossa Senhora, e querer cada vez mais passar de uma fé superficial, a uma fé mais formada e vivida”, afirmou o padre Miguel apelando aos cristãos para que na fé haja “uma unidade profunda entre aquilo que se diz, entre aquilo que se pensa e do modo como se age”. Segundo o sacerdote, o padre Joaquim ao longo da procissão pediu a Deus pelas escolas da cidade, para que “cada um seja cada vez mais presente” e que o seu “ser cristão seja mais anunciado”. Mas a celebração não teve só o interesse da formação cristã, mas para que “cada um crie dinâmicas no aprofundamento da fé, e acima de tudo, faça a experiência da fé”, revelou o coadjutor caldense como o principal objetivo desta procissão. 

 

“Fátima é hoje e ainda um lugar grande peregrinação e uma referência para qualquer cristão. Nossa Senhora em Portugal é uma referência para qualquer cristão, é por isso uma data tão marcada na vida das pessoas, que assim que aparece a Virgem Mãe, toda a gente a ama, toda a gente lhe quer falar, lhe quer pedir alguma coisa, porque sabe que é atendida, que Nossa Senhora não a desampara”, manifestou o padre Miguel Pereira referindo que “é bom sentir que as pessoas apesar de todas as suas dificuldades sentem Nossa Senhora por perto, e desejam-lhe falar das suas vidas para que Ela leve isso a Nosso Senhor e lhes traga uma resposta que seja de esperança”.

 

Normalmente as pessoas que têm pouco dinheiro ou estão mais fragilizadas na sua vida económica e financeira vêm buscar à fé, “mas para a grande maioria dos fiéis que vi na procissão a questão não era a crise, mas sim por causa da fé”, revelou o jovem sacerdote. “Passar pela crise ajuda-nos a ver as coisas com outros olhos, a querer ver mais profundamente a realidade, a querer apostar nos sítios certos, e não querer gastar o dinheiro e a vida em coisas que não interessam. Voltamo-nos para Deus em tempos de crise, porque precisamos de uma orientação, e é importante que neste tempo de crise a saibamos acolher, não só a pedir, mas acolher uma palavra de Deus, que venha iluminar o coração e a vida e possa trazer a cada um, segundo a sua condição, uma luz para que, em vez de tentar safar a vida, tentar orientá-la para Deus”, concluiu o padre Miguel certo de que tenha sido o “ponto-chave” este ano, deixando um grande apelo de conversão aos caldenses.

 

 

João Polónia/Jornal das Caldas

 

(Jornal das Caldas nº 1068 de 17 de outubro de 2012)

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