Padre Paolo Ciampoli ordenado por D. José Policarpo celebra Missa Nova no Carvalhal

3 de julho de 2013

Missa Nova do padre Paolo Ciampoli ordenado por D. José Policarpo
Celebração festiva no Carvalhal © João Polónia

Paolo Ciampoli é um dos seis novos presbíteros ordenados pelo Cardeal D. José Policarpo no Mosteiro dos Jerónimos, na Solenidade litúrgica dos Apóstolos Pedro e Paulo, concretizando a última celebração presidida enquanto bispo diocesano. O jovem italiano do Seminário Redemptoris Mater do Caminho Neocatecumenal, que exerceu o seu ministério diaconal desde do início do ano na Unidade Pastoral de Bombarral, Carvalhal, Roliça e Vale Covo da Vigararia da Lourinhã, celebrou a sua Missa Nova no Santuário do Senhor Jesus participada por mais de mil cristãos, no passado dia 30 de junho.

 

Um coro constituído por diversos elementos do Caminho Neocatecumenal, da Colômbia, México, Itália e Espanha, na companhia de jovens e paroquianos do concelho do Bombarral, proporcionaram uma celebração alegre e dinâmica tocando diversos instrumentos musicais. Sacerdotes, seminaristas, acólitos, membros das comunidades paroquiais, familiares, amigos e também o Presidente da Câmara do Bombarral, José Manuel Vieira, testemunharam a cerimónia num ambiente familiar festivo com grande emoção.

 

O jovem Paolo Ciampoli é natural de Ortona, em Itália, tem 32 anos e chega à ordenação diaconal depois de um percurso de vida que o trouxe até Portugal. Concluiu a caminhada catequética até ao crisma, quando tinha 14 anos. Após algum tempo, continuava a não encontrar na Igreja as respostas que procurava, e acabou por se ir afastando. Na habitual entrevista ao jornal diocesano que antecede as ordenações, Paolo disse que agora compreende que Deus permitiu que “procurasse a vida no mundo”. A “má relação com um irmão” levava a que "fugisse dos sofrimentos que sentia em família", tentando “fugir da situação com os amigos”, certificou com o sentimento de inquietação, salientando: “mas no fundo, sentia que havia um buraco cá dentro que eu não conseguia preencher com essa vida”.

 

O ano de 2000, ano do Jubileu, é o seu primeiro ano de universidade em Roma, para onde vai com o objetivo de estudar Engenharia do Ambiente. Ali sentiu-se perdido numa cidade muito grande. "Senti dificuldade nos estudos e na própria vida na cidade de Roma", revelou. No final desse ano letivo desistiu do curso, regressou a casa, e nessa altura foi convidado a frequentar as catequeses do Caminho Neocatecumenal. "Foi para mim uma revelação! Eu tinha uma ideia da Igreja como moralismo, como lei, vendo a missa como uma seca. Mas ali percebi que a Igreja não é isso! A Igreja é poder viver a fé com uma comunidade de irmãos”, explicou referindo que ali a vida começou a mudar. “Se antes, para ser bem aceite no grupo eu tinha de fazer o que os outros faziam; se em casa tinha de pôr uma máscara para fingir perante os meus pais que eu era bem comportado; pela primeira vez senti uma libertação quando me anunciaram que Deus me amava, assim como eu era. Experimentei aí, pela primeira vez, o perdão dos pecados. Foi a minha verdadeira confissão”, testemunhou o jovem padre. Segundo Paolo Ciampoli, a ‘gratidão’ é uma “palavra-chave” porque reconhece ter encontrado na Igreja a felicidade que procurava. Lutou contra Deus porque “sentia o desejo de constituir família” mas, destaca, “Deus foi mais forte”.

 

Em 2005, num encontro internacional em Roma, tendo manifestado a sua disponibilidade para "ir para qualquer parte do mundo", Paolo foi enviado para Portugal. Atualmente reconhece que o projeto que poderia ter para a sua vida "era uma coisa muito mesquinha que se limitava aos muros", da sua terra, mas Deus levou-o "ao deserto", para que “pudesse descobrir o que havia no (seu) coração”, sustentou.

 

“O que nos reúne hoje aqui debaixo deste calor é o dia da ressurreição de Cristo. O Senhor quer vir dar-nos a conhecer os caminhos da vida. Estamos abrasados com este calor da vida do mundo, das preocupações, dos sofrimentos da vida, e tantas vezes caminhamos num caminho que é de morte, num caminho que não temos a felicidade”. Por isso “a primeira condição para receber a água, é que eu e tu reconheçamos hoje a nossa miséria, reconheçamos que não há vida em nós, falta-nos dar o sentido aos acontecimentos da nossa vida”. As palavras são do padre Paolo Ciampoli ao iniciar a sua homilia espontânea na missa nova.

 

“Hoje toda esta multidão, uma orquestra cuja preparação demorou muito tempo, não são para o padre Paolo, mas sim para o Senhor, para hoje agradecermos ao Senhor, também pelo dom do ministério que concede a instrumentos fracos, mas iguais a tantos outros, que Ele escolhe”, certificou o novo sacerdote salientando que Jesus Cristo “preparou-nos este lugar para que possamos acolher a sua passagem no meio de nós”. Recordando que a sua principal missão é dar testemunho de que o Senhor “não engana, é fiel e chama fazer o bem”, o jovem presbítero sublinhou que não se pode ter vida sem passar pela morte, tal como “não podemos ter ressurreição em nós se não passamos pela cruz, a qual Cristo percorreu este caminho por nós”.

 

O novo sacerdote no final da sua homilia lembrou as palavras do Papa emérito Bento XVI, convidando os cristãos a porem em prática o testemunho do Santo Padre, na busca de um sentido concreto para as suas vidas: “Não tenhas medo, porque o Senhor te chama, não te tira nada, pelo contrário dá-te tudo”.

 

 

Diocesanos despedem-se do Patriarca

 

A cerimónia das ordenações sacerdotais que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos foi a última que o Patriarca emérito D. José Policarpo presidiu no seu “ministério apostólico de bispo de Lisboa”, destacou o próprio, para quem “esta celebração está mais voltada para o futuro do que para o passado”.

 

“O Senhor D. Manuel, novo patriarca, e eu próprio, só desejamos uma coisa: que a Igreja de Lisboa cresça, se consolide como povo crente, que quer ser no meio da nossa sociedade um testemunho da esperança, da visão da vida como ela brota da sua união a Cristo”, exprimiu o Administrador Apostólico da Diocese de Lisboa, projetando com urgência o “fortalecimento da Igreja de Lisboa”, que juntos pretendem cooperar.

 

“Ambos amamos bastante esta Igreja para tudo fazermos, na verdade das nossas vidas, para que ela cresça na verdade e na fidelidade”, garantiu o cardeal sublinhando que a “confissão da fé da Igreja exige tanta renúncia, tanta humildade da inteligência, tanto sentido de corpo e de comunhão”.

 

Aos ordinandos e membros do presbitério de Lisboa, D. José Policarpo lembrou que o “ministério” precisa de “grandeza de horizonte, de que a união ao vosso Bispo é a garantia” e durante a celebração, a proclamação do Evangelho, na “orientação das consciências nas dificuldades concretas com que os cristãos se deparam”, em tudo “o vosso ministério é um serviço da fé da Igreja”.

 

Agora que deixa o ministério de bispo diocesano, D. José Policarpo quis deixar a sua “expressão de fé e de caridade fraterna” para com o Papa Francisco, afirmando que “na comunhão com ele, exprimo a minha gratidão por todos os Papas da minha vida sacerdotal, que muito me ajudaram a manter sempre viva esta consciência da fé da Igreja, apesar das minhas fragilidades”. O cardeal revelou receber “com coração humilde” tudo o que o Papa Francisco decidir a seu respeito, “no silêncio da minha oração, na busca da contemplação e na procura contínua da verdade”.

 

“Na minha longa vida de ministério sacerdotal cultivei sempre esta união ao Sucessor de Pedro. A sua palavra ensinou-me o caminho da fé e da verdade e, por vezes, levou-me a corrigir perspetivas pessoais na compreensão da complexa realidade cristã”, revelou D. José Policarpo no final da sua homilia. Após a exortação soou uma forte salva de palmas da assembleia durante alguns minutos.

 

 

João Polónia/Jornal das Caldas

 

(Jornal das Caldas nº 1105 de 3 de julho de 2013)

 

www.jornaldascaldas.com/Padre_Paolo_Ciampoli_ordenado_por_D_Jose
_Policarpo_celebra_Missa_Nova

 

www.oesteglobal.com/journalnews/Padre_Paolo_Ciampoli_ordenado_por_D_Jose_
Policarpo_celebra_Missa_Nova

(clique na imagem para ampliar pag. 13 da edição 1105 de 3 de julho de 2013)
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